terça-feira, 3 de março de 2015
quarta-feira, 24 de setembro de 2014
Como ocorre a vasectomia
Como a vasectomia é feita? Ela é 100% segura? Quanto custa em média? ( Ricardo José)
O seu nome técnico é deferentectomia. Vasectomia é um procedimento cirúrgico que interrompe a circulação dos espermatozoides produzidos pelos testículos e conduzidos através do epidídimo (tubo em forma de novelo que se localiza na parte superior dos testículos) para os canais deferentes que desembocam na uretra. É o método mais seguro e cômodo atualmente.
O procedimento em si leva uns 20 minutos, mas com a consulta médica, a preparação e o preenchimento de papeleta leva-se cerca de uma hora até a conclusão do processo. O indivíduo não precisa estar em jejum. Na sala de cirurgia, é feita uma pequena infiltração local com anestésico e uma incisão de 1cm em cada lado do saco escrotal. O maior desconforto que o paciente experimenta é quando o médico isola digitalmente os deferentes, canais que levam os espermatozoides do epidídimo para a uretra e anestesia de novo. A seguir, corta-se o deferente, interpõe-se tecido conjuntivo entre os dois pontos para não recanalizar e fecha-se a incisão. Pronto. O indivíduo está liberado para voltar para casa. Muitos saem do hospital e vão direto para o trabalho sem problema.
O curioso é que, em 2% ou 3% dos casos, por alguma razão, a ligadura da parte que vai do testículo para o deferente, forma um granuloma espermático e vasa um pouco de esperma. Por isso, depois de um ou dois meses, quem fez vasectomia deve fazer um espermograma, já que a possibilidade de gravidez existe, uma vez que ainda pode haver espermatozoides no esperma
Esse método contraceptivo é indicado para homens que já possuem filhos, acima dos 30 anos, visando um planejamento familiar com sua companheira. Também é uma solução alternativa para as mulheres que não podem tomar anticoncepcional ou possuem problemas de saúde.
A reversão da vasectomia é um ato tecnicamente viável e possível. Se a reversão for feita três ou quatro anos depois da vasectomia, em 90% dos casos o espermograma é bom e, em 70% existe a chance de a mulher engravidar. A média de preços praticada no mercado por essa cirurgia é de R$ 1 mil a R$ 3 mil. O valor vai depender do médico e do hospital escolhido. Mas o SUS – Sistema Único de Saúde – disponibiliza gratuitamente esse serviço. Candidatos devem ter, no mínimo, 25 anos e dois filhos.
Fonte: http://diariodebiologia.com/2014/08/como-e-feita-a-vasectomia-video/#.VCKz2JRdWAV
Olimpíadas Científicas?
O que elas são?
As olimpíadas científicas são competições para estudantes do ensino fundamental ou médio (podendo também incluir alunos do primeiro ano da faculdade), com o objetivo de incentivar e encontrar talentos nas diversas áreas de conhecimento. Elas são muito diversas: existem olimpíadas de matemática, química, astronomia, física, linguística, biologia, oceanografia, entre outras. Algumas consistem de provas teóricas, outras consistem em fazer programas, experimentos, e até mesmo debates.
Por que participar?
Se você é um aluno, acreditamos que haja diversas razões para que você participe. Para motivar a participação de todos, fizemos uma lista com 10 motivos para participar de Olimpíadas Científicas que acreditamos ser os principais.
Se você é um professor, saiba que as olimpíadas científicas são excelentes formas de desenvolver a capacidade dos seus alunos. Além de melhorar o rendimento deles, você ainda cria mais incentivo e motivação. O mundo olímpico proporciona ao aluno o sentimento de amor ao saber, que se reflete diretamente no comportamento e empolgação deles em sua aula e na escola como um todo.
Como se inscrever?
Cada competição tem sua própria inscrição. Em geral um professor da escola tem que cadastrar a mesma no site da competição de interesse, mas algumas competições permitem que os alunos façam provas em universidades ou em outras escolas, caso a mesma não realize a inscrição. Algumas competições, como o IYPT Br e o TVQ, têm inscrições independentes da escola, feitas então pela própria equipe participante. Nós, do site olimpiadascientificas.com, NÃO fazemos inscrições. Acesse o site da competição para isso.
Como ir bem?
Como elas são muito variadas, é difícil escrever uma maneira geral de como ir bem nessas competições. Mas focando as mais tradicionais, escrevemos uma lista de ações que podem melhorar o seu rendimento na competição, confira o nosso Guia de Olimpíadas. Para informações mais detalhadas, aconselhamos acessar nossas páginas de Estudo, ou as páginas do OC sobre a competição que te interessou.
Quais são as principais competições?
Existem, em geral, 3 “níveis” de olimpíadas: estaduais, nacionais e internacionais. No entanto, existem competições regionais também em algumas cidades, ou em mais de um estado. Em geral você pode participar das competições nacionais sem passar pelas estaduais (com poucas exceções, como a de Química), mas você precisa participar das nacionais para concorrer no nível internacional (com poucas exceções, como a WoPhO, e algumas outras realizadas pela internet). Se você chegar ao nível internacional, você irá para nossa “Galeria da fama”! Você pode explorar mais as competições nacionais e internacionais usando nosso menu ou explorando nosso banner.
Talvez você conheça algumas das principais Olimpíadas Científicas Nacionais de comerciais de televisão, páginas na Internet ou Facebook, ou dos murais de seu colégio. Elas são:
Além dessas, existem diversas outras competições nacionais, como as de Linguística,Oceanografia, Saúde e Meio Ambiente, entre outras. E você não precisa participar só de uma, você pode participar de várias delas! Você pode saber um pouco mais sobre elas acessando a página delas aqui no olimpiadascientificas.com. Se você está sem criatividade de o que acessar, clique no alvo do foguete do Einstênio (nosso mascote) no banner. Ele levará você para uma página aleatória do site!
Além delas, você também pode participar das olimpíadas estaduais e das internacionais!
Nas olimpíadas internacionais participam normalmente de 4 a 6 participantes de cada país, e elas ocorrem cada ano em um local diferente. Os alunos são selecionados por competições nacionais e passam de 1 a 2 semanas no país sede, e eles aprendem sobre a cultura local, conhecem pontos turísticos, e, claro, fazem provas para representar seus países! Todas as despesas no país são pagas pela própria organização, e, com poucas exceções, o governo ou as sociedades brasileiras de ciência pagam as passagens dos alunos, que possuem, então, despesas virtualmente nulas nessa jornada.
Se esse foi o seu primeiro contato com olimpíadas científicas, esperamos que você se sinta muito bem acolhido, e saiba que sempre poderá contar com nosso apoio. Você com certeza fará muitos amigos e aprenderá muito nesse caminho.
Aproveite e explore o site para se informar ainda mais sobre as competições e como estudar para elas, ou talvez para conhecer um pouco de nossa equipe, ou das equipes que já representaram o Brasil.
Fonte: http://www.olimpiadascientificas.com/olimpiadas/o-que-sao-olimpiadas-cientificas/
Fósseis Vivos: o que são, as espécies e as fotos (Texto por Carlos Gandra)
"O que são fósseis vivos? Qual a diferença entre estes e outros animais?
Fóssil vivo é uma expressão informal, uma designação atribuída a animais conhecidos através do registo fóssil de há vários milhões de anos e que, portanto, sobreviveram aos eventos de extinção em massa ocorridos na pré-história.
Estes animais chamados fósseis vivos, são animais muito semelhantes aos seus ancestrais. No entanto, convém salientar que apesar das poucas ou nenhumas diferenças visíveis, a nível molecular as coisas são diferentes e um fóssil vivo, é tão evoluído geneticamente como qualquer outro animal.
A dificuldade na compreensão desta diferença, entre o que se vê (anatómico) e o que “não se vê” (molecular), é o principal factor que leva os defensores das teorias criacionistas, a usar as espécimes de animais fósseis vivos como uma “prova” contra a teoria da evolução. Segundo os criacionistas, o facto de animais existentes há milhões de anos continuarem vivos e inalterados hoje em dia, é uma negação da evolução.
Contudo e como se pode ver num exemplo concreto em baixo – a tuatara – todos os animais evoluem e até bastante rápido, mesmo que não “não pareça”.
Entre os fósseis vivos, encontramos criaturas bizarras, excêntricas ou simplesmente únicas, com um aspecto muitas vezes primitivo (como o tubarão-cobra) ou até alienígena (como os caranguejos-ferradura).
Em principio, a sobrevivência tão duradoura destes animais poderia significar um grande sucesso biológico dos mesmos, no entanto, muitos dos animais fósseis vivos, chegaram até nós porque os seus habitats foram sujeitos a poucas alterações ao longo dos milhões de anos, bem como a competição com outras espécies não os levou à extinção. No mesmo sentido, são também alguns dos animais mais vulneráveis e ameaçados pela acção humana.
Independentemente da sua sobrevivência e da “saga” percorrida durante tantos milhões de anos, os fósseis vivos são, sobretudo, a visão mais realista que podemos ter de como era o mundo há muito, muito tempo atrás.
Fatos e curiosidades sobre fósseis vivos
- Poucas ou nenhumas alterações anatómicas desde os tempos primitivos;
- Baixa diversidade genética;
- Muitas vezes descobertos depois de já serem conhecidos no registo fóssil e considerados extintos*;
- O fóssil vivo mais conhecido em todo o mundo é o Celacanto, cujos fósseis datam de há 400 milhões de anos atrás;
- Existem outros fósseis vivos que não são animais, tais como bactérias e plantas (a Gingko biloba já existe há 50 milhões de anos).
20 Animais Fósseis Vivos
Nesta lista, apresentamos os 20 fósseis vivos que estão “entre nós” há mais tempo, como os celacantos, os nautilus, os crocodilos, os esturjões ou os caranguejos-ferradura. Para teres uma noção mais precisa do que representa cada número em milhões de anos para cada animal apresentado, fica uma ideia base: os dinossauros apareceram há cerca de 230 milhões de anos, desapareceram há 65 milhões de anos e o primeiro Homo sapiens apareceu há “apenas” 0,2 milhões de anos.
(Para mais informação consulta os primeiros animais pré-históricos)
1. Mixinas
As mixinas, também conhecidas como peixes-bruxa ou enguias-de-casulo (classe Agnatha ou Myxini) são os únicos animais vivos de crânio sem coluna vertebral, o que leva alguns taxonomistas a hesitar em classificá-las como animais vertebrados. Têm um aspecto e características tão primitivas quanto os seus ancestrais, gravados no registo fóssil desde há 550 milhões de anos. As mixinas possuem glândulas segregadoras de muco em toda a pele, que usam para se defenderem e escapar de predadores, e são consideradas uma ligação evolutiva crucial entre animais vertebrados e invertebrados.
2. Nautilus
Quem não conhece os nautilus? Com as suas conchas únicas, que serviram de inspiração a muitos artistas ao longo dos últimos séculos e que representam um dos melhores exemplos naturais de uma espiral logarítmica, estes cefalópodes – parentes das lulas, dos polvos e dos chocos – já “vagueiam” pelos oceanos desde há 500 milhões de anos atrás, tendo “convivido” com inúmeros animais pré-históricos como as trilobites ou os dinossauros. Actualmente, os nautilus podem ser encontrados nas águas do Indo-Pacífico. As 6 espécies de nautilus sobreviventes, de um total de mais de 2.500 espécies identificadas, são praticamente idênticas aos nautilus das águas de há meio bilião de anos atrás. Recentemente descobriu-se que os nautilus têm capacidade de memória longa, apesar de nunca terem evoluído as estrututas cerebrais necessárias para o efeito. Como? Boa pergunta.
3. Língulas
As língulas estão entre os animais mais “conservadores” do planeta: existem há mais de 500 milhões de anos e as alterações na sua aparência desde essa altura (período Câmbrico, muito antes do primeiro dinossauro pisar a Terra), são mínimas. As conchas apresentam a forma de uma língua (classe Lingulata, a palavra latina para “língua”) e possuem um longo pedículo com o qual se movimentam no solo arenoso.
4. Caranguejo-ferradura
O caranguejo-ferradura, ou límulo (Limulus polyphemus), além de ser um fóssil vivo – está no registo fóssil do período Ordovício, há cerca de 450 milhões de anos – é um animal fascinante em muitos aspectos. A sua aparência meio alienígena e meio pré-histórica, esconde um sangue azul, literalmente azul, considerado muito valioso na medicina humana para o combate a infecções bacterianas, uma extracção onde não são sacrificados, sendo devolvidos à água sem problemas. Estes caranguejos são também capazes de regenerar membros perdidos, como uma estrela do mar. Apesar do nome, estão mais próximos das aranhas e dos escorpiões do que dos caranguejos. Na verdade, é o animal vivo mais próximo das trilobites que podemos observar. Tive oportunidade de fotografar um exemplar destes animais na visita ao Sea Life.
5. Celacanto
O celacanto (Latimeria chalumnae e Latimeria menadoensis) é provavelmente o fóssil vivo mais conhecido em todo o mundo. Durante bastante tempo pensou-se que estes peixes, com origem há cerca de 400 milhões de anos, tinha sido extinto juntamente com os dinossauros no final do período Cretácico, há 65 milhões de anos. Até que em 1938 foi descoberto, junto com outros peixes, apanhados por um pescador local na África do Sul. Desde então, já foram observados celacantos no Quênia, Tanzânia, Moçambique e Madagáscar. Curiosamente, os animais mais próximos taxonomicamente do celacanto, são os tetrápodes (vertebrados de quatro patas) e os peixes pulmonados, que podes conhecer já aqui em baixo. Os celacantos conseguem viver mais de 100 anos.
6. Peixe-pulmonado-australiano
O peixe-pulmonado-australiano (Neoceratodus forsteri) é nativo dos rios de Queensland, na Austrália. É o único membro sobrevivente da família Ceratodontidae, uma família ancestral da subclasse Sarcopterygii, que surgiu no planeta há mais de 380 milhões de anos. Apesar do animal ter evoluído desde então, as diferenças entre os peixes-pulmonados de há 100 milhões de anos e este agora, são mínimas. É um dos animais vertebrados mais antigos do mundo.
7. Vermes aveludados
Os vermes aveludados (filo Onychophora, espécie Euperipatoides kanangrensis na imagem) habitam os trópicos, as zonas temperadas do hemisfério sul e não gostam de luz – por isso são mais ativos durante a noite. Existem fósseis do que parecem ser vermes aveludados desde o período Câmbrico há mais de 500 milhões de anos, que eram contudo animais marinhos. A transição para terra poderá ter acontecido entre os 490 e os 420 milhões de anos atrás. O baixo “potencial” de fossilização destes animais leva à sua escassez no registo fóssil, no entanto existem evidências mais claras no período Cretácico e, principalmente, nos depósitos do Eoceno datados de há 40 milhões de anos. E cá continuam.
8. Baratas
As baratas são insetos popularmente conhecidos – não popularmente amados digamos assim – que já se encontram no registo fóssil datado de há cerca de 400 milhões de anos, no período Silúrico. Desde então, as mudanças são realmente poucas. A barata na foto está preservada em âmbar e viveu há 40 – 50 milhões de anos atrás.
9. Esturjão
Outro animal também popularmente conhecido, o esturjão, é encontrado no registo fóssil datado de há 200 – 230 milhões de anos. Tal como é “normal” nos chamados fósseis vivos, o esturjão também pouco ou nada mudou desde o seu aparecimento – juntamente com o aparecimento dos primeiros dinossauros – até ás nossas águas actuais.
10. Crocodilos
Provenientes também de há cerca de 230 milhões de anos, juntamente com os esturjões e os dinossauros, os crocodilos são também os animais com aparência mais… dinossauresca. Por esse motivo, muitas vezes os crocodilos não são apelidados de fósseis vivos mas sim de dinossauros vivos, um nome que lhes assenta bem. Os crocodilos atuais evoluíram há cerca de 84 milhões de anos, no período Cretácico, tendo sobrevivido à extinção que aniquilou os dinossauros, à semelhança das tartarugas e outros animais. Apesar da aparência, são os parentes vivos mais próximos das aves, representando uma ligação entre répteis e aves que divergiu há muitos milhões de anos. A aparência dos crocodilos praticamente não se alterou desde o tempo dos dinossauros, embora tenha havido evolução notória no esqueleto que os torna, hoje, mais fortes e mais ágeis do que no passado remoto.
11. Tartarugas
Apesar da diversidade de tartarugas existentes – embora muitas espécies estejam em risco de extinção – as tartarugas pouco mudaram desde o seu aparecimento, há cerca de 220 milhões de anos atrás no período Triássico. As tartarugas fazem assim parte de um dos grupos de répteis mais antigos do planeta.
12. Triops
Semelhantes a caranguejos-ferradura, mas em miniatura, os triops (Triops longicaudatus) são bem conhecidos dos aquariofilistas que apreciam ter um autêntico fóssil vivo nos seus aquários. Originários no período Triássico, há cerca de 220-230 milhões de anos, os triops respiram pelas patas e pertencem à família dos caranguejos e dos camarões. O nome triops refere-se aos três olhos que possuem. Os triops atuais são praticamente iguais aos que habitaram as águas do nosso planeta há 70 milhões de anos, ainda no tempo dos dinossauros.
13. Tuatara
Um dos fósseis vivos mais conhecidos em todo o mundo, as tuataras, animais “genuinamente” pré-históricos, tiveram origem no nosso planeta há cerca de 200 milhões de anos, tendo sobrevivido até hoje apenas duas espécies, a Sphenodon guntheri e a Sphenodon punctatus. Embora as tuataras se assemelhem a lagartos, pertencem a uma família com características absolutamente únicas entre os répteis. Apesar de consideradas fósseis vivos, pelas muito poucas diferenças anatômicas com os fósseis do período Triássico, estudos moleculares recentes demonstraram que estes animais não estão parados na evolução: pelo contrário, a evolução molecular das tuataras é mais rápida do que a de qualquer outro animal até hoje analisado (ver“Fastest Evolving Creature is Living Dinosaur” e “Tuatara evolving faster than any other species“). As tuataras têm uma dentição bastante única: duas fileiras de dentes na mandíbula superior e uma só fileira na mandíbula inferior.
14. Tubarões-de-Port-Jackson
Os tubarões-de-Port-Jackson (Heterodontus portusjacksoni) são uma das nove espécies vivas da ordem dos Heterodontiformes, animais que estão presentes no registo fóssil do período Jurássico, datados de há cerca de 175 milhões de anos (embora se suspeite que tenham surgido mais cedo), surgindo assim antes de qualquer grupo de tubarões modernos. Em termos de aspecto, os tubarões-de-Port-Jackson continuam semelhantes aos primeiros Heterodontiformes, sendo assim considerados fósseis vivos.
15. Ornitorrinco
Apesar de não ter um aspecto típico primitivo, os ornitorrincos (Ornithorhynchus anatinus) também não se parecem com mais nenhum outro animal e os estudos revelam aquilo que à primeira vista se nota: são estranhos. Muito. Os ornitorrincos são mamíferos que põem ovos e possuem veneno, além de terem o conhecido bico de pato, de segregarem o leite através de poros na pele e de terem 10 cromossomas sexuais – ao contrário da maioria dos mamíferos que possuem 2, o X e o Y. Como se não bastasse de peculiaridades, conseguem detectar as próximas presas através de electro-receptores. A singularidade dos ornitorrincos já levou mesmo os cientistas a classificarem-nos erradamente como répteis. A presença dos ornitorrincos na pré-história ficou comprovada pela existência de um fóssil com cerca de 110 milhões de anos, pertencente a um Sterophodon, parente do ornitorrinco de aspecto muito similar e que viveu no período Cretácico. A origem mais ancestral parece remontar, contudo, a cerca de 167 milhões de anos, no período Jurássico.
16. Lula-vampira-do-inferno
Com o aterrorizante nome de lula-vampira-do-inferno (Vampyroteuthis infernalis), este animal vive nas águas profundas dos Oceanos Atlântico e Pacífico, sendo o único cefalópode conhecido capaz de viver a 1 quilômetro de profundidade. É também uma relíquia sem paralelo no mundo animal. Assim como o caranguejo-ferradura não é um caranguejo e o musaranho-elefante não é um musaranho (nem um elefante…), a lula-vampira também não é uma lula, mas sim a descendente de um grupo de cefalópodes já extintos. Um fóssil dos meados do período Jurássico, com cerca de 165 milhões de anos, provou que as lulas-vampiras já existiam claramente nessa altura. A única diferença entre a lula-vampira do tempo dos dinossauros (Vampyronassa rhodanica) e a atual, é nas diferentes dimensões dos braços e do manto.
17. Aruanãs
Os aruanãs,também conhecidos como peixes-língua-de-osso (na foto a espécie Osteoglossum bicirrhosum), são peixes de água doce que podem ser mantidos em aquários, embora necessitem de grandes dimensões e condições muito especiais, não recomendados portanto a aquariofilistas amadores. Os aruanãs representam uma visão da pré-história: os seus ancestrais datam de há 200 milhões de anos, embora os aruanãs atuais sejam descendentes dos inícios do período Cretácico, há cerca de 140 milhões de anos, tendo mudado muito pouco desde essa altura.
18. Tubarão-cobra
Há relativamente pouco tempo falamos aqui no Mundo dos Animais do tubarão-cobra (Chlamydoselachus anguineus) na fotogaleria de tubarões. Não obstante o seu aspecto claramente primitivo e “desenquadrado”, o tubarão-cobra vem de uma linhagem que terá surgido há mais de 90 milhões de anos, provavelmente mesmo há 150 milhões de anos. Habita águas profundas, como 1.500 metros de profundidade, e tem um corpo parecido com as enguias. O espécime capturado nas águas superficiais do Japão e logo transportado para um parque aquático, morreu poucas horas depois, por doença – provavelmente a mesma doença que o levaria a subir das profundezas à superfície. A observação foi contudo valiosa, dado tratar-se de um animal tão raro e primitivo.
19. Rã de Archey
A rã de Archey (Leiopelma archeyi) é um anfíbio criticamente ameaçado de extinção, perto de acabar uma “saga” que já dura há mais de 150 milhões de anos: é praticamente indistinguível dos fósseis do Jurássico, sendo uma das rãs mais primitivas existentes. Caso não consiga sobreviver à extinção, a rã de Archey corre o risco de deixar de ser um fóssil vivo e passar a ser, simplesmente, um fóssil. Esperemos que não.
20. Formiga Martialis heureka
A Martialis heureka é um dos últimos fósseis vivos descobertos. Esta formiga é cega, habita os túneis subterrâneos da floresta Amazônia e descende diretamente das primeiras linhagens de formigas, que evoluíram no subsolo e começaram a ascender à superfície há cerca de 125 milhões de anos, no período Cretácico. A Martialis heureka apresenta várias características primitivas como a cegueira e as mandíbulas em forma de fórceps, tendo esta mesma espécie aparecido há cerca de 50 milhões de anos. Como habita nos túneis subterrâneos, o ambiente estável e escondido protege esta formiga da competição com as formigas modernas, um dos factos que contribuiu para a sua sobrevivência desde a pré-história até hoje.
Os mais recentes (e improváveis) fósseis vivos
Sabia que os coalas, pandas-vermelhos e musaranhos-elefantes também são considerados fósseis vivos?
Os primeiros ancestrais dos pandas (quer dos pandas-vermelhos como dos pandas-gigantes) habitaram o planeta no início do período Terciário, há cerca de 65 milhões de anos atrás, logo após a extinção que eliminou os dinossauros. O panda-vermelho propriamente dito, está no registo fóssil desde há 5-7 milhões de anos. Já sobre os coalas, os registos fósseis ascendem a 20 milhões de anos, quando os seus ancestrais evoluíram no sentido de habitarem as florestas tropicais, ao contrário dos eucaliptos que hoje lhes servem de casa.
Os musaranhos-elefantes atuais (que apesar do nome, não são parentes nem dos musaranhos, nem dos elefantes, nem de “coisa nenhuma” pois a sua classificação ainda é muito debatida) são praticamente idênticos aos seus ancestrais que floresceram no continente africano há cerca de 30 milhões de anos atrás. Tal como estes ancestrais, são animais insectívoros. Mais antigas são as aranhas-de-alçapão (família Ctenizidae), cuja existência já remonta há 85 milhões de anos.
Outro animal bem conhecido é o dragão-de-komodo, um lagarto da Indonésia que partilha com os crocodilos um aspecto dinossauresco. Podendo atingir 3 metros de comprimento e 70 quilos de peso, este gênero de lagartos (Varanus) surgiram na Ásia há cerca de 40 milhões de anos, tendo depois migrado para a Austrália. A colisão entre a Austrália e o Sudoeste Asiático, ocorrida há uns 15 milhões de anos, permitiu que os dragões-de-komodo se deslocassem para aquele que é, hoje, o arquipélago indonésio. Os dragões-de-komodo atuais diferenciaram-se dos ancestrais há cerca de 4 milhões de anos.
Há 23 milhões de anos, apareceram os primeiros aardvarks (Orycteropus afer), um mamífero noctívago africano, parente dos elefantes, que tende a aparecer em primeiro lugar em todas as listas alfabéticas de animais (porque será?). No caso do aardvark, não só a aparência mais também os seus cromossomas têm-se mantidos idênticos ao longo de milhões de anos. Antes deles, há 46 milhões de anos, divergiram dos marsupiais australianos os monitos-del-monte (Dromiciops gliroides), pequenos marsupiais da América do Sul e únicos membros vivos da sua ordem. Mede apenas 13 centímetros e pesa cerca de 30 gramas.
Para último mas nada menos interessante, os okapis (Okapia johnstoni). É uma das duas espécies remanescentes da família Giraffidae – sendo que a outra espécie, é a própria girafa. Os okapis foram considerados animais extintos por se conhecerem apenas através do registo fóssil. Depois, foram considerados animais críptidos, pois apenas existiam relatos da sua existência entre os habitantes locais da República Democrática do Congo. Por fim, este fóssil vivo foi encontrado… vivo. Os okapis têm um pescoço muito mais curto que as girafas atuais e são animais por norma solitários. Tiveram origem há cerca de 15 milhões de anos e estão, de momento, em perigo de extinção. São o exemplo vivo mais próximo das girafas primitivas do nosso mundo.
* Existe uma pequena diferença entre animais fósseis vivos e o fenômeno paleontólogo chamado táxon lazarus. Este último representa as espécies animais e/ou vegetais que, consideradas extintas, reapareceram. O nome refere-se a Lázaro, um personagem bíblico que, depois de morto, foi ressuscitado. Dado que a grande maioria dos animais que reaparecem têm um estado de conservação criticamente ameaçado, é comum dizer-se que se tratam de extinções adiadas e não de “ressurreições”, sendo que os animais acabam muitas vezes por extinguir-se. De vez."
Escrito originalmente por Carlos Gandra em: http://www.mundodosanimais.pt/animais-selvagens/fosseis-vivos/
segunda-feira, 8 de setembro de 2014
ENEM
Nos links abaixo é possível responder a algumas perguntas do ENEM dos últimos 4 anos.
ENEM (2010)
ENEM (2011)
ENEM (2012)
ENEM (2013)
ENEM (2010)
ENEM (2011)
ENEM (2012)
ENEM (2013)
Assinar:
Postagens (Atom)